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montesclaros.com - Ano 23 - sábado, 4 de fevereiro de 2023

Um dia após reunião com os comandantes das 3 forças armadas, Lula demite o comandante do Exército. Afastamento pedido - e não atendido - de coronel (ajudante de ordens de Bolsonaro) teria sido a gota d'água. "Isto é péssimo", avalia Mourão, ex-vice. Troca de comando será na segunda-feira

Sábado 21/01/23 - 17h59

O presidente Lula demitiu neste sábado (21) o comandante do Exército, general Júlio Cesar de Arruda.

A demissão ocorreu no dia seguinte à reunião do presidente, do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e dos comandantes das 3 forças - Exército, Marinha e Aeronáutica.

O novo comandante será o general Tomás Ribeiro Paiva, atual comandante do Sudeste, com sede em S. Paulo, nomeação a ser publicada em edição extra do Diário Oficial.

Na última quarta-feira (18), Paiva fez forte discurso para a tropa formada, afirmando que o Exército é instituição de Estado, e que o resultado das urnas deve ser respeitado independentemente das posições pessoais de cada militar.

Brasília trabalha com a informação de que a "gota d´água" para a demissão teria sido a recusa do comandante do Exército em exonerar o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, de importante comando em Goiânia.

O coronel Cid havia sido designado para comandar o 1º Batalhão de Ações e Comandos, o 1º BAC, uma unidade do Comando de Operações Especiais, com sede em Goiânia.

Este batalhão especial, com as mais bem treinadas tropas de elite do Exército, tem por atribuição efetuar operações de emergência em casos de ameaças contra Brasília.

Também tem a missão de, em situações de guerra, desempenhar missões delicadas contra alvos difíceis.

À Folha de S. Paulo, o general Mourão, ex-vice de Bolsonaro, disse:

"Se o motivo foi tentativa de pedir a cabeça de algum militar, sem que houvesse investigação, mostra que o governo realmente quer alimentar uma crise com as Forças e em particular com o Exército. Isso aí é péssimo para o país".

O Estado de Minas, de BH, noticiou:
"A demissão acontece após a publicação da reportagem (...) no “Washington Post”, que apontou que o comandante Júlio César de Arruda disse ao ministro da Justiça, Flávio Dino:
“Vocês não vão prender gente aqui”.

A CNN Brasil informou:

O novo comandante do Exército, general Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, foi indicado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao então governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro, às vésperas do anúncio do petista dos novos comandantes das Forças Armadas, conforme informaram fontes do Governo e de Tribunais superiores."



O NOVO


Já noite de sábado, o ministro da Defesa disse, em Brasília:

Mencionou que os ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de dezembro, e os acampamentos próximos a unidades do Exército foram determinantes para a decisão tomada hoje.

“Investimos mais uma vez na aproximação com as nossas Forças Armadas com o governo do presidente Lula.

"Evidentemente que, depois desses últimos episódios, a questão dos acampamentos, a questão do dia 8 de janeiro, as relações, principalmente no comando do Exército, sofreram uma fratura num nível de confiança.

"E nós achávamos que nós precisávamos estancar isso logo de início até para que nós pudéssemos superar esse episódio”, disse Múcio, no comunicado deste sábado (21)

“Por isso, conversamos hoje com o general que estava no comando, logo cedo.

O general Arruda a quem eu faço as minhas melhores referências.

“E queria aqui trazer aos senhores o seu substituto, o general Tomas, que a partir de hoje é o novo comandante das Forças Armadas da do Exército Brasileiro.

E os senhores posteriormente terão condições de conversar com ele melhor, porque hoje foi um dia de muitas tratativas e a partir da próxima semana quando houver oficialmente a passagem os senhores vão ter oportunidade de conversar com ele e relatar tudo que aconteceu”

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